Gostaria de colocar aqui um texto meu que precisou nascer.
Hoje tinha que escrever
Tem muitos temas dando voltas em mim e coisas me açoitando de diversas maneiras, algumas na minha cabeça e algumas no meu corpo.
Tenho lido e me informado. São leituras e informações dispersas mas com um fio condutor. Desalienar-me das coisas. De tudo. Tenho uma angústia de desalienação, ainda que essa tenha, traga sempre uma angústia maior. A consciência das coisas. Tento me informar através de meios mais independentes do ponto de vista do capital econômico das grandes mídias. Mas não descarto nada. Alguma fontes mais regulares são minhas assinaturas da revista Caros Amigos e do Jornal Brasil de Fato. Nem sempre os leio na íntegra. Muito coisa começo e deixo passar por já perceber ali uma manipulação de visão da coisa relatada. Aprendi, dentro dos meus valores a ter esse faro.
Os assuntos mais correntes agora: eleições e por consequência o Brasil do futuro. As cidades e cidadãos do futuro. Nessa reflexão tenho algumas referências fantásticas que li esses dias. Pois é difícil para mim traçar um panorama do se está construindo como futuro neste país, dentro da minha ignorância histórica. Para mim ficam dois pontos cruciais que tomo emprestado dos artigos de José Arbex Jr e de Frei Betto (por quem tenho especial admiração).
Bom as idéias vão indo e vindo e indo e vindo nas coisas, gostaria antes de colocar dois pontos que me aborrecem muito ultimamente. A cobrança de votar em Dilma para continuar sabe lá o que. Vou votar em Marina pelo mesmo motivo que votei sempre em Lula. Para ver crescer um político que trás junto a si uma visão mais socialista do pais, que tem atenção e propostas de mudanças concretas das nossas mazelas históricas que resultam em nossa vergonha de sermos o que somos em potencial e termos o que temos em misérias humanas.
Outro parêntese: nunca mais serei a mesma depois de ler O povo brasileiro de Darci Ribeiro. Recomendo a todos ao menos a leitura do Moinhos de Gastar Gente e prepare-se para chorar de tanta dor se for sensível para isso.
Voltando aos texto de Arbex e Frei Betto.
Arbex fala do “fascismo à brasileira”. Foi a coisa mais lúcida e esclarecedora que li sobre o que se passa nesse pais. Em síntese tentaria dizer que é o seguinte: Este governo se consolidou por uma conciliação impressionante de classes extremas. De um lado o grande capital do outro os pobres a que ele chama de subproletariado. O primeiro tem neste pais as garantias de sermos um paraíso fiscal para o capital financeiro e o segundo paga todas as conseqüências ainda que sob o guarda-chuva precário dos programas de repasse de renda. Ai vem a entrevista com Frei Betto onde está lá com todas as letras a cristalização do que pensava fragmentadamente até então. “A principal crítica que tenho é que serão 8 anos sem nenhuma reforma estrutural, nem agrária, nem a tributária, nem a política, nem a da saúde, nem a da educação”.
O que tiro disso é que ha um grande trabalho de conscientização a ser feito sobre esse hiato histórico que vivemos. De uma lado estamos mais atrasados que nunca antes tivemos e de outro nos achamos mais modernos do que nunca fomos.
Ai vem a Copa e na Bahia a demolição da Fonte Nova e volto a pensar: De uma lado estamos mais atrasados que nunca antes tivemos e de outro nos achamos mais modernos do que nunca fomos e … dessa forma como está sendo feita, sem discussão com a cidade, sem exercício de cidadania, sem gestão pública responsável com um futuro, que esteja comprometida com reformulações estruturais de erradicação das condições urbanas atrofiantes que a população desta cidade já vive, bom, jamais seremos. Ou sempre seremos essa maquiagem urbana desse urbanismo de espetáculo pirotécnico feito para se pagar para ver pela televisão e se alienar gozosamente. Fica o que para quem tenta viver a cidade a sua vida de trabalho, lazer, cultura, solidão, agremiação espontânea. Olha, o que é isso das barracas de praia em Salvador, eu sei que tem amparo legal, mas alguém consegue me explicar o que fez isso chegar a esse ponto de demolir sem uma solução de consenso – ao menos não conheço nenhuma – com as pessoas que viviam desse trabalho?
Em que século estamos? Foi assim que evoluímos? Como tratamos as pessoas como se aplicam as leis, como se discute a sobrevivência, as opções de transformação de melhoria de civilização?
É estou enfadada, minhas inquietações estão no vazio. Hoje recebi uma ligação que me obrigou a esse texto. Um pessoa que amo chorando pela desgraça da nossa cidade Salvador na Bahia. Mas outra pessoa que amo me disse: “ainda não acabou” e com outras palavras disse: temos que responsabilizar os irresponsáveis sobre isso! Obrigada a meus dois amores. Só o amor mesmo nessa hora. Amor próprio, ao outro, a vida… amor enfim.